Existe uma expressão erroneamente atribuída ao general Charles D’Gaulle, onde se afirmava que o Brasil não era um país sério. Na visão internacional realmente o país não o era. Do pós-guerra até a redemocratização, o país passou por suicídio (sic) de um presidente; renúncia espontânea de outro; golpe militar; morte de um presidente nos dias de sua posse; extensão de mandato de outro presidente; impeachment de outro; e por fim, emenda constitucional para reeleição, inclusive presidencial. Ufa!
Enquanto isso existiu uma aceleração, notadamente nas décadas de oitenta e noventa, do capital internacional e também do capital volátil depositado em setores não produtivos, principalmente em nações emergentes onde o mercado é relativamente novo, portanto vulnerável para a delícia dos especuladores profissionais. Neste cenário entra o Brasil. Para a economia mundial éramos apenas um mero coadjuvante e um fornecedor em potencial de matéria prima e alimentos para os países centrais. Também um promissor importador de produtos finais, notoriamente bens de consumo e eletro-eletrônicos. O início do 90’ a economia mundial se compactou de vez, principalmente pela informatização dos setores produtivo, bancário e de informação, o que coincide com a tímida abertura econômica do governo Collor com mais evidência no setor automotivo. Decerto foi conseqüência de um processo mundial assim como o foi os fins de governo de Vargas e Juscelino, porém o que se viu foi uma invasão forte de produtos e marcas internacionais em nossas prateleiras comerciais e em nossos lares.
Quanto mais dependente tecnologicamente é um povo mais à mercê das forças centrais está. E o Brasil por ser celeiro natural de campos, abundante em recursos hídricos, e ter subsolo valioso, tornou-se o principal alvo de estratificação de recursos agora internacionalizado, ficando mais estigmatizado ou como exportador de matérias primas e grãos, ou como conveniente montador de subsidiárias internacionais. Não obstante, por todas estas décadas, desde os áureos tempos de Ruy Barbosa e Rio Branco, não houve respeito aos acordos internacionais e tratados envolvendo o Brasil e os países ricos, respaldados pela dependência nossa a eles capitaneado por órgãos como FMI, OMC entre outros. Aliado a isto, a dependência econômica inibiu as forças diplomáticas nacionais não deixando impor mínimas condições básicas aos novos acordos bilaterais. O único exemplo aplicado positivamente foi Itaipu Binacional, mesmo assim com países de economia inferiores à brasileira.
No governo de Fernando Henrique Cardoso esta imagem de um Brasil moleque passou por uma plástica e adquiriu novos contornos. As repetidas viagens internacionais do nosso governante propiciaram mais credibilidade à nossa pátria. FHC se mostrou um habilidoso diplomata tanto para os países centrais assim como para com os países sul americanos. Também enamorou com asiáticos e bateu de frente com os canadenses e americanos do norte. Este último, por sua força e influência mundial, tem sido o único que não o deixa dialogar com igualdade, mesmo até por força de seu imperialismo e protecionismo. As vitórias sobre o Canadá e sobre a Alemanha fizeram subir o nosso conceito na OMC e nas chancelarias internacionais, restaurando significativamente a imagem de um Brasil não muito sério. Enfim, FHC deixa seu governo com a missão cumprida no quesito relações comerciais internacionais, relações diplomáticas e respeitabilidade à marca Brasil.
Ruy Vídero

